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Correr ou Caminhar

Olá a todos!

Deixo-vos mais um texto reflexivo, que escrevi quando cheguei a casa após uma corrida/caminhada.

Espero que gostem!

Imagem retirada da Internet

Doíam-me os olhos e a cabeça de olhar para ecrãs e linhas de texto de livros e sebentas (já nem o facto de ir estudar para a varanda, a apanhar ar, me estava a ajudar), pelo que resolvi ir correr. Tinha coisas para estudar? Obviamente. Porém isso não deve (e não pode) ser um fator decisivo (embora muitas, muitas, muitas vezes o seja), porque há sempre algo para estudar, algo para fazer. Vou morrer e vou deixar trabalho por fazer. Vamos todos. Então, vesti um fato de treino inventado na hora (composto por várias peças desportivas com as quais me identifico e me sinto confortável, nomeadamente o meu antigo casaco do karaté e um gorro da Adidas - a marca não me pagou nada para a publicitar - que comprei este verão em saldos e que nunca tinha usado), tirei uma foto a registar o momento e saí de casa. Muitas vezes nem sequer me chego a vestir para ir correr, mas hoje fui: rodei os punhos e os tornozelos para aquecer e comecei a correr devagarinho.

Estava eu a um terço do caminho rumo ao ponto que determinei como final do percurso, já um pouco ofegante, uma vez que embora costume exercitar-me ande a deixar a corrida um pouco de lado, quando me apercebo que aquele caminho, ao pé da minha casa, que tão bem conheço, não é percorrido por mim na esmagadora maioria dos meus dias, não a pé. Dou-me igualmente conta de que todas as minhas inseguranças, os meus medos, a minha agenda mental e todas as dezenas de conteúdos que me costumam invadir a mente e, por vezes, cansar-me, preocupar-me, stressar-me e causar-me ansiedade, acalmaram… mais, adormeceram. Só existo eu, o caminho por debaixo dos meus pés e a paisagem que me envolve e, aí, nesse momento, reaprendo uma coisa óbvia: que todo o ser humano está vivo por algum motivo, e que todo o ser humano deve ter paz e ser feliz. Enquanto corro relembro-me de que sou realmente feliz, estou no mundo, envolta pelo mundo, em sintonia com o mundo.

Cheguei à meta e passei da corrida para a caminhada, para não parar de repente. Fiz alguns exercícios de fitness e, quando estava a voltar para trás, passo após passo, comecei a reparar mais nitidamente no céu, na luz, na escuridão da noite, nas pessoas que passavam na rua, na igreja da minha terra… e a minha mente, a minha cabeça encheu-se de criatividade, a minha criatividade própria que tão bem conheço, não sei se nasci com ela ou se a desenvolvi, mas que a tenho… quer dizer, tenho, quando não ocupo demasiado a minha mente com aquilo a que se tende a classificar como vida, mas que é apenas uma pequeníssima parte dela (compromissos, responsabilidade, conhecimento científico, deadlines, raciocínio crítico, etc…). Comecei a andar ao ritmo de uma música interior que comecei a criar na minha cabeça, com letra, instrumental, ritmo, tudo o que tinha direito. Se lhe tirássemos a sonoridade, ficava apenas a poesia, embora ainda mantivesse musicalidade (toda a poesia foi criada com uma musicalidade, uma entoação diferente e específica, que nasce na cabeça de quem a escreve e que é, certamente, diferente da musicalidade que é transmitida a quem a lê) - na verdade, é assim que nasce a maioria das minhas poesias. Desta vez, não escrevi um poema, mas antes transformei a minha inspiração neste texto.

Não sei se todos sentem ou pensam o mesmo que eu, mas parece-me que hoje em dia existe a ideia (e quase a exigência) de que toda a gente tem de ter uma opinião e saber dar uma crítica sobre tudo… e mais, questionar, dizer “não!” e estar insatisfeito, porque sem vontade de mudar não há ação no sentido do fazer diferente e, assim, não há evolução. Não digo que não concorde com isto, mas acho que talvez coloquemos demasiada pressão nas pessoas, sobretudo nos adolescentes e jovens, para que além de serem bons nos seus estudos e trabalhos, saibam um pouco de tudo, do que está a acontecer em todos os cantos do mundo e, ainda, que o saibam comentar, criticar e propor alternativas. E vocês podem pensar: “então e isso não é ótimo?”. Talvez seja, mas poderia ser melhor se com essa exigência viesse o ensinamento de que as pessoas têm de parar por vezes e, inclusive, aceitar o mundo como ele é, não questionar nada, não querer saber nada mais do que aquilo que está a ver - arrisco-me a dizer que talvez sejam nestes momentos que as pessoas são realmente mais felizes e se sentem melhor e mais vivas no planeta terra. Enquanto caminhava, olhei para o céu e não estava minimamente importada em pensar no que existia para lá dele, apenas sabia que estava escuro, bonito, me era familiar e, naquele momento, era meu.

Cada vez mais há pessoas a procurem inúmeras técnicas de meditação, mas a maioria delas sente dificuldade na adoção deste hábito. Há inúmeras razões para que meditar seja difícil, mas porventura, uma delas seja o facto de ter como base um comportamento que caminha no sentido oposto ao do que nos obrigamos a ter como correto na maioria do tempo das nossas vidas (demasiado tempo!?).

Enquanto caminhei, enquanto corri, não me esforcei para exercer qualquer tipo de raciocínio complexo sobre o mundo e, melhor ainda, não me recriminei por não o fazer.

Às vezes esqueço-me de que preciso de tempo para estar sozinha comigo, para voltar a mim, para me encontrar. Há quem lhe chame de ócio criativo, e há momentos em que o entendo muitíssimo bem. Hoje tomei uma excelente decisão - que bom é correr ou caminhar. 

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